CidTiradentes.com - 15_06_2016--alguem-pode-me-dar-1-real

Alguém pode me dar 1 Real?

Moço me arruma 1 real?

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 Alguém pode me dar 1 Real?

Em meio a multidão uma ou duas pessoas prestam atenção ao solicitado, as vestes o acusam, seu cheiro o expurga de ter um tratamento mais civilizado, digamos, que ouvidos treinados levantam as respectivas defesas contra uma torrente de seres moribundos e maltrapilhos, centro da cidade, diria MC Jack: plaquinha de emprego, plaquinha compra ouro, plaquinha compra prata, plaquinha de almoço, a demanda sempre exorbitante do exército de reserva na angústia por emprego, ainda mais com o desemprego em alta, aquele pato gigante  do sistema “S” sabemos muito bem quem está pagando...
 
Alguém descolou R$0,20 o tiozinho agradece, um moleque pede pra alguém pagar um salgado, o atendente ofende e retira o afastador de clientes dali, na sequência, a luta prossegue, completar o do salgado e dar a multa no cafezinho, frio é foda, todos sentem mais fome, como se um salgado e um copo de café fossem suficientes, ainda mais sobrevivendo nas ruas, onde cada período, cada refeição é uma luta específica, cada pedestre é uma esperança renovada a que um pedido seja atendido, que as pessoas ao olharem bem dentro de seus olhos enxerguem a real dificuldade e a veracidade em seu pedido, um mero pedido, um simples pedido...
 
Mas a cena está violenta, as pessoas estão carrancudas, estressadas, mal humoradas, amarguradas como o mundo está e no que está se tornando, o mundo está sendo, diria Paulo Freire, está sendo o reflexo do que a sociedade se tornou, o que a burguesia orquestrou, o que a alta socialite demonstrou, podre, fútil, nojento, peçonhento, medroso, desumano, hostil, insensato, ignorante e nós vamos caminhando conforme delimitam as estradas, tal qual tocam a melodia nós cantamos e dançamos sem qualquer expectativa de reação, principalmente se estivermos no exercício da empatia e nos colocarmos na situação de qualquer morador de rua do centro de São Paulo...
 
Frio ...
 
Pessoas morreram por causa da baixíssima temperatura que assola a cidade paulistana, foi primeira página? Evidente que não, aliás, nem audiência isso gera, quem que iria se interessar pelo fato de que pessoas que estavam sobrevivendo nas ruas, que pelo simples fato de estarem por seus motivos subjetivos e sociais, que à mercê de uma situação não estavam devidamente acomodados em suas residências, seja por motivações de orientações de desejos, disputas por inventário, violência doméstica, preconceitos de cunhos religiosos, a motivação do que levou, do que leva e do que levará pessoas a morarem na rua, nesse momento é o que menos importa, e sim de que existem pessoas que estão nesse momento na rua e essa naturalização em fingir que não vemos nada, demonstra bem o quanto nós estamos nos desumanizando.
 
Segundo o censo de 2015 (SMADS), a população em situação de rua e os acolhidos na cidade de São Paulo quase dobraram do ano de 2000 até 2015, de 8.706 para 15.906, isso demonstra um aumento significativo em uma megalópole como a cidade em que sobrevivemos, como se não bastassem as inúmeras reintegrações de posse, e o processo de urbanização nas chamadas comunidades  esse fenômeno que não é nada novo, perdura desde a colonização e a dita abolição da escravatura, consideremos contudo, salientar da importância dessa chamada situação de rua para um sistema essencialmente desumanizador que vive à base da exploração da mão de obra e do acúmulo de capital, é evidente que é importante a manutenção desse sistema e a estagnação, ou melhor, a piora da desigualdade social.
 
Inúmeros fatores poderiam salientar, mas o principal direito foi negado na noite passada a dois seres humanos o direito à VIDA, constitucionalmente garantido na carta magna e simplesmente pisoteado pelo Estado democrático de direitos, não podemos de forma alguma naturalizar esse fato, pois nesse exato momento, a situação prossegue e quantos tiozinhos, tiazinhas, homens, mulheres, adolescentes e crianças estão com a mão estendida esperando alguém na multidão não apenas ouvir, mas escutar, mesmo que sejam os próximos :
 
 
 
Alguém pode me dar 1 Real?
 
Educador Social, Estudante de Direito, membro do Movimento Hip Hop, Oficineiro de Grafite, Breaking e MC do grupo de Rap Fantasmas Vermelhos, Membro do Coletivo de Esquerda Força Ativa ( Cidade Tiradentes) e Membro do Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo 
 
  Wagner Tito Wagner Tito
Educador Social, Estudante de Direito, membro do Movimento Hip Hop,…

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Emblues Beer Band traz o melhor do Blues e Folk ao CFCCT

Embeer Blues Band

LOCAL: Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes

Avenida Inácio Monteiro, 6900. Barro Branco/ Vila Yolanda – Teatro (3° piso)
QUANDO: Dia 18/06 (domingo), às 19h

CLASSIFICAÇÃO: Livre
ENTRADA FRANCA (GRATUITO)

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